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quinta-feira, 3 de setembro de 2015

A opressão silenciosa

Todos nós já estivemos nessa posição pelo menos uma vez na vida, confie em mim. Estamos lá de boa, conversando, brincando, daí soltamos uma piadinha besta, inconsequente. Alguma piadinha de português, de gordo, de loira, de viado, de preto, de crente. Você não é nenhum psicopata, e obviamente nunca pretendeu ofender toda uma nacionalidade, uma característica corporal ou uma religião. Era só um comentário besta e imaturo, mas alguém ficou ofendido. Mas isso sem dúvida é frescura, certo? É só uma piada, meu Deus. Você não advoga que mulheres, negros, homossexuais, obesos ou evangélicos devam ser varridos do planeta, colocados em campos de concentração ou algo assim. Uma piada boba não te faz racista, machista, homofóbico, gordofóbico ou cristofóbico (o que quer que seja isso), né?

Bom...

Sim e não.

É preciso entender que toda opressão tem dois fronts: o visível e o invisível. O front visível é o do ódio mesclado com o medo. É quando você acha que os negros deviam ser mandados de volta pra África para resolver a criminalidade do Brasil, que lugar de mulher é calada na cozinha, que qualquer sexualidade que não a hétero é uma doença a ser curada, que obesos são comilões desleixados ou que toda pessoa evangélica é preconceituosa e cheia de regras estranhas.

A opressão visível é fácil de combater. Coloque-se uma cota de negros, mulheres e genderqueers em qualquer ambiente para que os números sejam igualados, criminalize-se os comentários ofensivos contra uma minoria oprimida, mantenha silêncio sobre suas opiniões de gênero, sexualidade, raça e religião se estiver na frente de pessoas que se ofendam com elas e tudo fica ok, certo?

Rá, certo.

Vamos começar com essa última parte. Um poeta já disse que não se fala mal de alguém na frente da pessoa, porque é falta de educação. Ria o quanto quiser, mas isso é uma das grandes regras silenciosas da nossa sociedade: “não tem problema falar mal de alguém se a pessoa não está por perto, o que os olhos não veem, o coração não sente”. É isso o que faz do bullying algo tão humilhante: quando as pessoas falam na nossa cara algo que sabem que nos machuca, é um sinal de que não ligam para nossos sentimentos a respeito daquilo.

Sabendo disso, pensem no que um homossexual sente quando está na plateia de um show de humor e um cara começa a fazer piadas de gay. Temos aí três possíveis formas de pensamento que podem levar o humorista a fazer tais piadas:

1) O humorista não liga para o que os gays sentem quando são estereotipados com características negativas (o que não costuma ser o caso, a maioria das pessoas não é tão cruel);

2) O humorista está tentando fazer os homossexuais se sentirem tão ridículos que eles deixem de ser homossexuais (caras, esse tipo de humor não funciona com características que são suas de nascimento, tipo ser gay, ser negro ou ser mulher);

3) O humorista simplesmente não computa que gays “existam de verdade”, a ponto de fazer parte de sua plateia. Ou que gays se interesse por seu número.

A primeira dessas possibilidades se chama bullying, e creio que a sociedade como um todo decidiu que isso é uma coisa ruim. Sou uma incurável otimista, que acredita que a maioria dos seres humanos aprendeu isso ainda na escola. Falar coisas só porque você sabe que isso vai fazer o outro chorar é feio. Muito feio.

A segunda possibilidade é ligada ao que as pessoas chamam de “poder transformador do humor”. Temos uma crença implícita de que, caso façamos uma pessoa se sentir ridícula no papel que ela está fazendo, a pessoa vai se conformar ao “certo”. Se achamos alguém chorão, fazemos piadas com a cara da pessoa e ela vai passar a segurar o choro para não ser ridicularizada. Se achamos alguém hipócrita, zoamos essa hipocrisia. Nesse caso, o humor é uma forma mais leve (mas nem por isso menos contundente) de repreensão. Isso é bem legal quando repreendemos alguém poderoso que está abusando do poder, ou quando repreendemos a humanidade no geral, e todas as nossas mazelas. O negócio é que levamos essa ridicularização longe demais.

Ridicularizar a avareza é legal, porque quase todos nós (otimismo, sempre o otimismo) somos um pouco avarentos e isso é algo que podemos mudar com nossas escolhas. Mas e quando ridicularizamos o cabelo de alguém, a pele, a orientação sexual, a identidade de gênero, a nacionalidade... Coisas que alguém não pode mudar? Ou que terão que fazer sacrifícios cosméticos custosos para mudar, sendo que, no fim, que diferença faz no grande esquema das coisas? Isso deixa de ser engraçado, para ser uma pressão injusta. É um jogo de poder. Se uma pessoa faz uma piada com o cabelo crespo de alguém e todos riem, todos estão validando a opinião do humorista. A pessoa de cabelo crespo não vai ver isso como uma piada, mas como uma repreensão social disfarçada. Se ela não concorda que cabelo crespo é inadequado, ela vai ficar ofendida. Se ela implicitamente concorda com isso (ou é levada a concordar, depois de ver isso em todos os lugares), ela vai ficar infeliz consigo mesma, podendo ficar deprimida se não houver nada que ela possa fazer para se conformar às normas sociais.

Mas nada disso é novidade. Você já leu em milhares de lugares sobre esse lado dark do humor. Nem é sobre isso que quero me demorar. É sobre a terceira possibilidade que eu disse ali em cima. Essa é que pega a todos nós pelo pé, porque ela não implica que você odeie alguma minoria e queira machucá-la, ou que você a ache inadequada e queira conformá-la a sua visão de mundo. Você pode ser a pessoa mais legal e aberta. Você simplesmente “se esquece” de que aquelas pessoas estão ali.

E a indiferença, meus amores, a indiferença é uma forma de crueldade, já dizia outro poeta.

Há uns dez anos mais ou menos, eu, adolescente e idiota estava entre parentes mais ou menos distantes e fiz um comentário mais idiota ainda sobre alguém estar com “saia de crente’. Não era nem uma piada, era uma dessas comparações bobas. Daí, minha mãe pacientemente me chamou num canto e me disse o óbvio: “Adriana, tem gente na família que é evangélico, eles não gostam disso”. É óbvio, mas é a hora que algumas conexões se fazem dentro de você: “espera, essas pessoas EXISTEM”. Não são personagens de uma piada, gente de papelão, pessoas que só existem na casa do vizinho. São pessoas que podem estar em qualquer lugar, em qualquer meio. Eu nunca estive preocupada em me vigiar para não falar besteira de “crente” porque, graças àquela máxima de que “o que os olhos não veem o coração não sente” – e eu implicitamente acreditava que ninguém nas minhas relações fosse evangélico –, então estava liberado não ser “educado”. O que é ridículo, porque evangélicos estão longe de ser uma minoria, mas isso é preconceito para vocês. Não é sempre algo que pensamos conscientemente, porque uma vez que colocamos esse tipo de preconceito em palavras, vemos o quanto é ridículo. Ele só funciona quando é invisível.

Desde então, fico feliz de dizer que dei uma bronca considerável no meu cérebro, e depois de muito carinho e cuidado, deixei pra trás esses estereótipos bobos de evangélicos. Ajuda abrir suas relações e conhecer o outro mais a fundo. Mas sei muito bem que deve ter um poço de preconceitos debaixo desse meu rostinho sorridente, esperando a hora de escaparem e me envergonharem, porque, como eu disse, preconceitos funcionam enquanto são invisíveis.

Vou dar a vocês um exemplo ainda mais insidioso de opressão invisível, benevolente e bem intencionada, mas opressão mesmo assim. Fiquem felizes de ela parecer se encaminhar para um final feliz.

Quem já conversou comigo por tempo o suficiente sabe que adoro o Cracked.com. Eles conseguem ser informativos, bem-humorados e, às vezes, surpreendentemente democráticos, cuidadosos e imparciais para um site de humor, não de jornalismo “sério”.

Mesmo assim, um dia reclamei com um amigo que o Cracked era um site que escrevia de homem para homem, e que isso às vezes irritava. Se eu tivesse dito isso aos redatores na época, eles iriam obviamente negar. “Como assim, o Cracked é para todos!” Mas o fenômeno era claro e simples: os escritores sempre escreviam com a crença implícita de que estavam falando para outros homens. Você vê isso quando o autor se refere ao leitor como “você” e logo depois vem com um “isso causa a ereção mais bizarra que você pode imaginar”. Ou uma piadinha de como tal coisa é igual “ter que explicar por que você brochou”. Eu sou uma pessoa tão imaginativa como qualquer outra e acho que posso tentar entender esses sentimentos intrinsecamente masculinos (porque estão ligados a um pênis que eu não tenho), mas... fica irritante quando nunca tem NENHUMA comparação intrinsecamente feminina. Nenhum escritor (exceto as moças do site, às vezes) fazia piadas de TPM, por exemplo.

Isso cria nas leitoras uma sensação de que elas não fazem parte da conversa. É aquela opressão invisível e invisibilizadora, onde sutilmente dizemos a alguém que a pessoa não faz parte da conversa. Não é feita por mal, mas simplesmente por negligência. Que é um tipo de mal, mas enfim.

O final feliz que se insinua no horizonte é que o Cracked ou leu minhas reclamações nessas conversas particulares (eles têm bons espiões, pelo que ouvi), ou ouviu as reclamações de outras moças, e começou a mudar. É uma mudança sutil, gradual, mas satisfatória. De repente, do lado de uma piada de pinto, tem um pedido de licença às garotas, ou uma piada equivalente para nosso gênero. Nas fotos de casais genéricos, aparecem casais gays. Sempre que podem, colocam fotos genéricas de gente de todas as cores e idades. Aos pouquinhos e sutilmente, os escritores parecem nos dizer que sim, eles perceberam que não tem mais só homem branco lendo. Tenho percebido mais nomes de garotas entre os autores dos artigos. Ainda falta muito, mas é animador. Porque veja só, uma pesquisa de mercado pode até dizer que seu público é majoritariamente masculino, branco e hétero, mas já pensaram que isso pode ter menos a ver com os outros não gostarem do conteúdo e mais a ver com como são tratados? Ao invés de se afundar ainda mais em seu nicho, produzindo ainda mais conteúdo pra homens brancos héteros, o Cracked resolveu se abrir.

E é nessa hora que tanta gente peca. Por não odiar ou desprezar um grupo, as pessoas não querem acreditar que podem estar sendo excludentes. Mas a gente exclui. E sabe o pior? Só o excluído consegue perceber isso. Por isso que é tão importante darmos valor às críticas que recebemos por sermos excludentes ou ofensivos. Sim, pode ser frescura até certo ponto, mas não custa checar se não tem fogo no meio de toda essa fumaça. Geralmente tem.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Sobre inveja e invejosos

Não é só nos últimos dias que ouço sobre inveja e invejosos, mas isso virou a polêmica do dia no círculo de escritores que eu acompanho e resolvi dar dois centavos sobre o assunto.

Para quem não acompanha a polêmica, há poucos dias, o escritor Raphael Draccon deu uma entrevista onde ele diz a famosa frase de que o escritor Rubem Fonseca não seria publicado hoje por não ter contatos ou "uma vida tão interessante quanto aquilo que escreve". Ele também causou polêmica ao dizer que "escritor que fala mal de escritor não entra na minha editora". Pouco depois, foi anunciado um reality show entre ele e sua esposa, Carolina Munhoz (que também é escritora).

A internet então explodiu de pessoas descascando o Draccon (e, até certo ponto, sua esposa), dizendo que os livros do casal são ruins e etc e tal, e ele e seus amigos se defenderam dizendo que as pessoas que falam mal dele têm inveja de seu sucesso.

Olha, não há vítimas nem carrascos nessa história toda. A entrevista do escritor pode ter sido o que for, mas o selo editorial é dele. O dinheiro, se não é dele, foi confiado a ele. Ele tem, então, o direito de escolher quaisquer critérios que queira para escolher quem publicar. Se isso vai dar dinheiro a ele ou não, o problema é de quem? Não é o sagrado dever de uma editora preservar a qualidade da literatura nacional. Editoras precisam fazer dinheiro pra se manterem. Se queremos lutar para bons livros serem publicados, mesmo que não se paguem, é hora de nós leitores e escritores nos unirmos para acharmos uma solução que não envolva dizer a uma instituição particular como gastar seu suado dinheirinho.

Por outro lado, Draccon e senhora não são gênios incompreendidos por uma turba de invejosos. Li a premissa e o primeiro capítulo do livro de ambos e nenhum me pegou, sendo que o primeiro livro de Munhoz (O Inverno das Fadas) tem uma qualidade técnica ruim. Não estou julgando no quesito entretenimento (só li o primeiro capítulo), mas na parte instrumental da escrita: uso de metáforas e frases de efeito, construção e alívio de tensão, ritmo de leitura, essas coisas. Ser tecnicamente ruim significa que o livro tem valor puramente de entretenimento, e isso significa que ele se vende somente para o nicho que goste apaixonadamente do tema de que ele trata (fadas, romance e um pouco de erotismo, no nosso caso) ou para leitores que ainda não tenham alguma tarimba. Isso não é um total demérito ao escritor, mas não faz dele um gênio da literatura. Na defesa de Munhoz, dizem que seu segundo livro, Feérica, é melhor que o primeiro. Não cheguei a ler, mas acredito sim, que ela tenha melhorado - é impressionante o que um simples ano de maturação faz com sua escrita, falo por experiência própria.

Isso dito, vamos falar de inveja. Basicamente, ter inveja é ver o sucesso de outra pessoa e acreditar que você tem mais mérito do que ela para obter esse sucesso. Que se houvesse justiça no mundo, era você que deveria estar no alto do pódio, já que você é melhor do que quem está lá. Se alguém me disser que nunca sentiu inveja na vida, ou essa pessoa me mostra a auréola dela, ou nada feito.

Inveja é um sentimento ruim? É. Ela mostra aquela arrogância latente dentro de cada um de nós? Ô. Mas você pode usá-la a seu favor, se essa inveja for um combustível para que você de fato persiga seu sonho e chegue ao sucesso que você tanto quer (de preferência, sem pisar em ninguém no caminho). Agora, inveja por inveja seguida de inércia é puro desgaste de energia.

Quando os defensores do casal Draccon chamaram os detratores de "maus escritores invejosos", eles fizeram uma generalização complexa. Sentir inveja não tem nada a ver com talento, é um sentimento humano: Leonardo da Vinci e Michelângelo, dois dos maiores gênios da Humanidade, sofriam de despeito crônico um pelo outro e falavam mal um do outro constantemente.

Não acredita? Extrato de uma carta de Michelângelo:

"Sobre aquele homem (Leonardo da Vinci) que escreveu dizendo que a pintura é mais nobre que a escultura, acho que minha empregada sabe mais do que ele."

Fonte: Clique Aqui

Dei uma chupinhada de uma revista Super online, mais por que esse incidente poderia ter acontecido ontem:

"O Michelangelo, 23 anos mais jovem que o rival, era irreverente, impetuoso e, não raro, malcriado. Sua intempestividade lhe rendeu brigas homéricas com os Médicis, a família florentina que patrocinava grande parte dos artistas da época. Discordava daqueles que viam em Leonardo um gênio. Mas, num cantinho qualquer do seu ateliê, Michelangelo se via na obrigação de estudar as experimentações de seu grande desafeto, por ele ter sido precursor de uma série de inovações técnicas – como o “claro/escuro”, o jogo de sombra e luz. “Michelangelo nutria por Leonardo um misto de inveja, discordância e admiração velada”, diz Maria Elisa de Oliveira Cezaretti, professora de História da Arte na Faculdade Belas Artes, de São Paulo.


Leonardo chamava a atenção, principalmente por sua excepcional beleza e seu porte físico. Estava acostumado a usar túnicas coloridas, em geral cor-de-rosa, que iam até os joelhos – um pouco curtas para os padrões da época, é verdade, mas sempre na moda. Deixava que a longa e encaracolada barba chegasse à metade do peito. E era festeiro: baladas eram com ele mesmo. “Leonardo participava de festas na corte, gostava de música, era bastante animado”, diz o artista plástico Percival Tirapeli, professor da Unesp. Foi graças a esse jeito que tinha para lidar com as pessoas, aliado a seu enorme talento, que ele conseguiu driblar a má-sorte de ter sido filho bastardo naquela época. (Na Itália renascentista, quem carregava tal rótulo era rechaçado pela sociedade.)
(...)
Para Vasari [historiador contemporâneo de Da Vinci e Michelângelo], porém, a inimizade entre ambos deveu-se a um evento particular: o único encontro casual entre os dois nas ruas de Florença de que se tem notícia. Leonardo passeava com um amigo perto do Palazzo Spini, onde um grupo de homens discutia uma passagem do Inferno, de Dante Aligheri, obra em evidência na época. (Florença vivia um momento de glória: era, ao mesmo tempo, o lar de Michelangelo, Leonardo, Dante, Rafael, Botticelli e vários outros artistas.) À determinada altura, os homens pediram que Leonardo lhes explicasse alguns trechos do Inferno, bem na hora em que Michelangelo passava pelo local. Leonardo, sabendo da admiração do jovem artista por Dante, disse então: “Michelangelo vai explicar para vocês”. Pensando que estava sendo ridicularizado, Michelangelo enraiveceu e insultou Leonardo. Criticou a sua obra inacabada mais famosa, o monumental cavalo de bronze encomendado por Ludovico Sforza, duque de Milão: “Explique-se você, que fez um modelo de cavalo que jamais poderia terminar!” Atingido no calo, já em casa, Leonardo viveu um momento de grande baixa autoestima. Escreveu num de seus inúmeros cadernos de anotações: “Conte-me, conte-me se alguma vez eu fiz alguma coisa...”, considerando que talvez nada do que fizera na vida até então tivesse valido a pena."

O resto da matéria está aqui: http://super.abril.com.br/cultura/leonardo-vinci-michelangelo-eles-nao-se-bicavam-460383.shtml

Agora que leram isso, olhem nos meus olhos e digam que Michelângelo era um "mau artista invejoso, que só sabia falar mal do sucesso de Leonardo". Ou, olhando por outro ângulo, digam na minha cara que Leonardo era só um cara arrogante que conseguiu seu sucesso porque era baladeiro e tinha contatos.

Hoje, está bem claro que ambos eram gênios, e ainda assim, havia inveja e amargura entre eles. Para alguém da época, aposto que os amigos de Leonardo desprezavam Michelângelo como um artista menor invejoso e os amigos de Michelângelo desprezavam Leonardo como um riquinho arrogante superestimado.

Meu ponto aqui é: é muito fácil julgar o outro como alguém que tem menos merecimento que você e está com mera inveja. Isso faz você se sentir confortável e não te obriga a partilhar a dor do outro, nem admitir que talvez - vejam só! - o outro realmente esteja justificado em seu sentimento de injustiça. Talvez o outro realmente tenha mais talento que você e foi desfavorecido por azar ou por não ter certos privilégios. Isso dói. Ninguém gosta de ser o privilegiado, o opressor. Mas às vezes, nós somos. Dizer "sua inveja é meu sucesso" é tão arrogante quanto ser invejoso.

Por outro lado, também é cômodo para as pessoas pintarem aquele que foi bem-sucedido como arrogante, preguiçoso e alguém que só está onde está por conta de sorte e privilégios. Faz com que pareça que qualquer esforço que você faça, por menor que seja, já é mais do que a pessoa fez. Agora convenhamos: não importa o quão cheia de contatos e privilégios uma pessoa seja: algum trabalho ela fez pra alcançar seu sucesso. Quanto trabalho? Quanto sacrifício? Jamais saberemos, não estamos na pele dessa pessoa.

Trazendo isso para a cena dos escritores que aludi acima, pensem aqui comigo: escritores vêm em todas as camadas sociais. Imagine um escritor "invejoso" que é, digamos, um professor que trabalha em dois turnos (manhã e tarde) e faz uns bicos em cursinho à noite pra pagar as contas, que só escreve nas poucas horas vagas (e com isso, mal tem tempo pras redes sociais e pra "construir redes de contato"), que custa a terminar o livro (e quando termina, ainda passa bastante tempo aperfeiçoando) e faz um produto que pode não ser uma obra-prima, mas é melhor do que pelo menos 50% do que se vê por aí. Esse escritor tem que ouvir que "nunca vai ser publicado porque é um ninguém e sua vida é chata", ou que "uai, se quer publicar tanto, tenta uma editora paga". Sendo que editora paga vai cobrar quase tanto quanto um carro usado e o escritor ainda vai ter que abrir mão de um de seus empregos (e deixar sua família na mão) pra sair por aí se promovendo e talvez vender alguma coisa. Gente, ninguém que tenha família ou que se sustente sozinho larga um emprego certo que malemal paga as contas por um duvidoso-sabe-Deus-quando-vou-receber-algo. Se ninguém investir nessa pessoa, ela não vai se profissionalizar. Agora me digam: por mais invejoso que esse escritor seja, alguém pode reclamar quando ele fica indignado porque ouve de alguém que virou escritor com a bênção dos pais que "você é só um invejoso sem talento que não foi publicado por que não quis nem se esforçou o bastante?" Alguém cujos pais o ajudaram em seu sustento enquanto ele estava nas redes sociais e trabalhando no livro, que vem aparentemente de uma esfera social muito acima da sua? Desculpe aí, pessoal, mas se sentir invejado, ou qualificar todos que reclamam de sua postura como invejoso é se declarar privilegiado e tapar os ouvidos ao sofrimento do outro. É de uma insensibilidade muito grande. Sim, claro que há invejosos que realmente não tem nada publicado porque nem sequer terminaram o livro e ainda assim queriam já ser popstars. Mas colocar todos os "indignados" no mesmo balaio não dá.

Com isso, não estou defendendo a "indignação", o "falar mal". Pra mim, falar mal de alguém, ou desqualificar alguém de "invejoso", "arrogante" ou "incompetente" é mal-educado e insensível, não importa o contexto ou a pessoa. Não há desculpas para ser ofensivo. E aqueles que estão em posição de sucesso ou de poder são seres humanos como outros quaisquer. O simples fato de serem ricos, bem-sucedidos e tal não faz deles não-humanos que podem ser ofendidos do jeito que queremos. Eles têm tristezas, dificuldades e fazem sacrifícios tanto quanto qualquer um. O sonho da vida de uma patricinha não é menos sonho do que o de uma pessoa pobre. Algumas vezes, elas fazem sacrifícios enormes de botar sua cara a tapa ou de realmente se esforçar em algo que muitos de nós nem sonhamos. A gente só vê a faze sorridente que as pessoas mostram no facebook, nos blogs e tal, mas a realidade por trás do virtual pode ser muito mais feia do que imaginamos. Tristeza numa mansão ainda é tristeza e os ricos com quem já conversei todos me disseram: não, uma TV de plasma não sufoca sua tristeza mais do que uma TV preto-e-branco. Ter dinheiro pra ir pra Europa e realmente ir pra lá rende boas fotos, mas dificilmente cura uma depressão ou uma baixa autoestima (vide Leonardo ali em cima). Sendo assim, já tem um tempo que não importa o quão arrogantes, falsos e aparentemente incompetentes as celebridades pareçam: tento me abster de qualquer julgamento e qualquer comentário ácido porque não dá pra saber. Não quero ser uma daquelas pessoas que bateu um dos pregos do caixão de alguém que só era feliz e bem-sucedido na aparência, mas cuja autoestima era tão baixa que um mero comentário mal-educado faz a pessoa se desgovernar.

Enfim. O que falta nessas discussões de invejosos/invejados é simples empatia humana. Não são fotografias que estão ali fazendo ou recebendo comentários. São pessoas. Um universo largo de gente diferente e com suas próprias alegrias e tristezas. Criticar um livro, dizer que tal trabalho, tal obra de arte, tem esse ou aquele defeito, é uma coisa. Usar essa crítica como arma para ofender o outro é indesculpável. Se o outro é alguém que você tem certeza de que ele é uma má pessoa, alguém baixo e vil, me responda: que mérito há em chutar quem já está caído? Em cuspir em quem está no fundo do poço? Se você não se sente com forças pra ajudar a pessoa a se reerguer, passe adiante e chame a ambulância sem agravar o sofrimento dela. Simples assim.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Sobre se fazer humor

Sobre a polêmica mais recente envolvendo o Marcelo Tas, não tenho muito o que dizer. Vou me sentar e aguardar os acontecimentos evitando julgamentos preconcebidos.

Cito isso porque me lembrou de algo que tem sido um problema para mim ultimamente: a falta de bons programas de humor no Brasil.

Não sei se estou ficando velha e rabugenta aos 23 anos, mas não consigo achar o menor pingo de graça na maior parte dos formatos humorísticos que temos. Nem no tão propalado CQC e sua forma particular de humor. Sei lá. Vejam se vocês me entendem:

Desde tempos imemoriais (na verdade, desde os meus 7 anos), meus pais se esforçaram para incutir na minha cabecinha noções de caridade, tolerância e respeito. Todo domingo, quando estudamos o Evangelho Segundo o Espiritismo, algum desses temas forçosamente entra na baila. E depois que comecei a conviver mais tempo na internet, não paro de aprender que respeitar alguém é uma coisa muito mais ampla e complexa do que parece, a princípio.

Respeitar alguém é não chamar uma pessoa por um nome que ela não gosta, é não ridicularizá-la por suas preferências particulares, é não humilhá-la publicamente apenas para obter umas risadas dos amigos em volta (e nem no particular, para seu deleite), é não se comportar com ela com base apenas em preconceitos e não em fatos...

Já repararam que pelo menos 90% das piadas e programas de humor atualmente sobrevivem exatamente de fazer as coisas que relacionei no parágrafo anterior?

Não consigo achar engraçadas as piadas homofóbicas, as piadas racistas, machistas e preconceituosas, no geral. Sei lá. Sabe o que é você ouvir algo e pensar que isso é tão grosseiro e carrega uma ignorância tão grande que nem é possível apreciar a ironia da piada? Pois é. Já falei sobre o politicamente incorreto antes, e o que ele quer dizer pra mim.

Estou aqui me lembrando daquele caso em que as autoridades brasileiras não gostaram do episódio dos Simpsons passado no Brasil. Na época, achei uma besteira tão grande essa reação. Afinal, o Casseta e Planeta tinha tiradas muito mais ácidas envolvendo nosso país, e ninguém aparecia pra crucificar. Mas agora, me dá o que pensar... De fato, não é a mesma coisa um estrangeiro fazer piada do Brasil e um brasileiro fazer o mesmo.

Tudo é uma questão de pressupostos. Veja, um brasileiro pode fazer a piada que for sobre o Brasil, que certa dose de respeito e carinho pelo país sempre existirão, ali permeados. Além disso, se alguém faz piada de algo em seu país, essa pessoa mostra que ela vê essa mazela, e não concorda com ela. Compare:

Sua mãe, brasileira, vira e fala: "O Brasil presta mais atenção no peito da mulher que no que ela tá falado."
Um francês vira e fala: "O Brasil presta mais atenção no peito da mulher que no que ela tá falado."

Percebem a diferença sutil? Quando um brasileiro aponta mazelas do Brasil, está implícito que ele não concorda com ela. Que existem brasileiros que só querem ver o peito da mulher, mas existem aqueles que desgostam isso. Quando um francês diz a mesma coisa, o que está implícito é que sua nacionalidade não compactua com a outra. Que todos os brasileiros são iguais e inferiores aos franceses nesse quesito. Daí a carga ofensiva de ser criticado por um outro externo.

Isso quer dizer que os franceses estão proibidos de criticar o Brasil? Não. É só que, sabendo que uma crítica direta e impensada como essa é ofensiva, ele tem que tomar cuidado para deixar bem claro o que quer dizer. O preço que pagamos por sermos críticos externos a um movimento é pensarmos no que estamos falando.

Voltando ao humor, isso se aplica a piadas também. Quer dizer, sou (ovolacto)vegetariana. E acho muitas piadas sobre o vegetarianismo muito engraçadas. Poooorém, quando elas vêm de alguém que come carne, a maioria delas soa extremamente grosseira. Porque a pessoa não faz a concessão de que está falando de um tipo específico de vegetariano, mas de todos eles. E não, NÃO ESTÁ IMPLÍCITO na fala de alguém que come carne que ela não está falando do vegetarianismo como um todo. Lembra do caso do francês? Mesma coisa.

Esse raciocínio pode ser aplicado a temas como feminismo, homossexualidade, obesidade, nanismo, e qualquer outro que você possa pensar. Geralmente, só quem está de dentro de um desses grupos acima sabe o que é ofensivo e o que não é, vindo de fora. Quem está de fora TEM QUE FAZER CONCESSÕES À BOA EDUCAÇÃO. Ou seja, não é deixar de criticar os vegans que são chatos e ficam pregando vegetarianismo à mesa. É fazer isso sempre deixando claro que você sabe que o vegetarianismo é um movimento amplo e complexo e os chatos são uma minoria barulhenta. Ah, você não conhece um vegetariano que não seja chato? Talvez ele simplesmente seja tão tranquilo que você vai descobrir quase que por acidente que ele não come carne.

Trocando em miúdos, gosto mesmo é do humor feito por quem sabe do que está zoando. Quer dizer, ninguém se mete a fazer piadas nerds de matemática se não souber matemática. Por que se deve fazer piadas sobre, sei lá, feminismo, se a pessoa só sabe de feminismo "o que ouviu de fulana, que ouviu na TV"?

Agora, se você já está se coçando para dizer que, pela minha lógica, eu estou PROIBINDO alguém que não seja negro a fazer piadas com negros, calmaê. O que estou dizendo é: somente as pessoas que conhecem a fundo a realidade dos negros, do que eles se orgulham em si mesmos e com o que se ofendem DEVERIAM fazer piadas com eles. Se alguém quer fazer piada por sua conta e risco, sem conhecê-los, a pessoa PERDE O DIREITO de subir nas tamancas e dizer que está sendo "censurada" se algum negro pedir uma retratação pelo cunho racista da piada. Simples assim. Lembrando a sabedoria do Seu Madruga: "Quem fala o que quer, ouve o que não quer". Fez piada sem saber se era ofensiva? Aguente as consequências como um adulto, não como um menininho que não pode ser contrariado.

E é isso.

Continuo no aguardo de um programa de humor no Brasil que não apele pro preconceito, grosseria e/ou apelação sexual. (E que passe em um horário assistível...)


PS: Pra mim, os melhores stand-ups, no geral, são aqueles em que o humorista conta casos usando a si próprio como personagem. Nada como zoar a si mesmo para obrigar alguém a manter o respeito a um grupo.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

A patrulha do politicamente incorreto

É, eu escrevi certo.

Vocês já devem ter ouvido falar de politicamente correto. Aquela pessoa ou instituição que ataca o uso de certas frases, roupas ou símbolos por serem preconceituosos, mas dificilmente atacam o preconceito em si. Por exemplo, um cara politicamente correto ficaria com raiva justa ao ler a frase "todo negão tem ceceba!", mas provavelmente não veria grandes problemas em "os afrodescendentes em geral apresentam acentuadas tendências ao mau cheiro nas axilas".

Politicamente correto é algo chato. Chato porque 99% das vezes é hipócrita. E chato porque politicamente corretos costumam não ver coisas chamadas "contexto social" e "ironia" mesmo que dancem vestidas de havaiana na frente deles. Mais de uma vez tive vontade de tacar uma mão cheia de dedos na cara de politicamente corretos.

Em reação ao politicamente correto e sua incansável patrulha, surgiu o "politicamente incorreto", seu oposto. Ser politicamente incorreto é "dizer as coisas como são", ou não usar eufemismos para expressar uma opinião polêmica. Enfim, é ser sincero. Brutalmente sincero, se necessário. E é aí que mora o grande perigo dessa postura: enquanto o politicamente correto tem um caso de amor com a hipocrisia, o politicamente incorreto flerta com a grosseria e, às vezes, com a intolerância.

Nós temos uma patrulha do politicamente correto em ação por aí, por todos os lados, tentando empurrar as sujeiras de nossa sociedade e nosso comportamento para debaixo de um tapete de palavras sofisticadas e roupas engomadas. O que pouca gente parece estar percebendo é o surgimento de uma patrulha do politicamente incorreto, armados com paus e pedras e dispostos a descer a borduna em qualquer um que aponte a inadequação desse ou daquele termo, o que seria "uma violação da liberdade de expressão". Porque liberdade de expressão é tudo véio! MORTE À BURGUESIA! YEAH! \../ Ò.ó \../

Só que a patrulha do politicamente incorreto parece esquecer, como os politicamente corretos, a existência de um contexto social. E também aquela velha frase preferida das professoras de colégio: "a liberdade de uma pessoa termina quando começa a da outra". Tipo, isso também vale pra liberdade de expressão, sabem?

Porque vejam bem, o politicamente correto expressa preconceitos sob eufemismos. Em que um politicamente incorreto está sendo melhor se expressa o mesmo preconceito de forma escrachada? É preconceito do mesmo jeito, não? Legal, o politicamente incorreto pode se orgulhar de não ser hipócrita, mas quando vai se envergonhar de continuar sendo preconceituoso? Só que de forma mais grosseira?

Duas ações recentes da patrulha do politicamente incorreto me mostraram que são tão cegos quanto seus irmãos perfumadinhos: a revolta pela "censura" de Monteiro Lobato e o texto de Reinaldo Azevedo sobre a polêmica do uso "petralha" nas HQs de Batman.

O caso Monteiro Lobato é notícia velha, mas reveladora: o fato de terem tirado livros do Lobato de bibliotecas infantis por incitamento de preconceito contra os negros causou uma onda de indignação em adultos que cresceram lendo os livros do Sítio. Ou assistindo as séries de TV, onde esse preconceito foi limado sem dó nem piedade (sendo que ninguém reclamou disso, ao que me consta). Foram textos e mais textos do tipo "Onde esse povo politicamente correto vai nos levar?! Vão privar nossas crianças de um dos nossos maiores escritores infantis! Blá-blá-blá! Blé-blé-blé!".

Pouca gente desceu de sua indignação para ver que os livros de Lobato continuariam disponíveis desde que houvesse com as crianças debates sobre esse preconceito, como era algo normal na época de Lobato e não é hoje, e tal. Pouca gente se pôs na pele de uma criança negra que, ao ler as obras do Sítio, veria os negros comparados a macacos, tratados como sub-humanos que deveriam se curvar à superioridade branca. Menos gente ainda procurou saber que Lobato se expressou sobre os negros quase que literalmente com essas palavras em cartas, artigos e no livro O Presidente Negro. Esse texto discorre sobre esse tema de um jeito que acho exemplar.

A polêmica do "petralha" em Batman é a bola da vez. Esse texto do Reinaldo Azevedo faz uma defesa apaixonada do termo, que está no dicionário, blá-di-blá-di-blá, nem todo petista é petralha, mas todo petralha é petista (uhuuuu, como é isento de preconceitos tio Azevedo! Como o termo é politicamente neutro!), blá-di-blá, atentado contra a liberdade de expressão por esse bando de censores da imprensa libertária e isenta de preconceitos do Brasil.

Sendo que Reinaldo Azevedo cunhou o termo. Um termo altamente preconceituoso e parcial, que ofende qualquer petista, que não reflete a verdade (como se só petistas tivessem o comportamento que ele liga ao termo) e que está imbuído de uma conotação política tão forte quanto o termo "atucanar" (ironicamente ou não, usado por outra facção da patrulha de politicamente incorreto como sinônimo de "politicamentecorretar" um termo). Curioso, se os gibis do Batman apresentassem o termo "atucanar", duvido que o Sr. Azevedo tomaria uma defesa apaixonada do termo, dizendo que ele já perdeu sua conotação política.

Se o termo é tão ofensivo e tão revelador de bairrismos e partidarismos (você não vai ver um petista e simpatizantes usando o termo "petralha" e não vai ver um psdebista e simpatizantes usando o termo "atucanar"), por que usar? Por que ser grosseiro e ofensivo com uma facção da sociedade? Pra ser anarquista e politicamente incorreto? Pra escancarar ao mundo seu preconceito contra esse grupo, pros desgraçados verem o que é bom?

Recomendo essa entrevista do escritor China Miéville, socialista convicto, que dá um banho de respeito e tolerância em muito direitista que diz que todo socialista e todo comunista são radicais cegos e ignorantes. Como o Sr. Azevedo, que não se dava ao trabalho de frisar que "petralhas" são só alguns petistas em seus textos. (E sim, li vários deles, cortesia de um amigo que mandava semanalmente pérolas desse cara e de Diogo Mainardi pro meu e-mail.)

O caso discutido por Miéville é o do "Dia de Desenhar Maomé", no Facebook, um desrespeito aos muçulmanos, que acham sacrilégio representar a face do profeta na arte. Que raios, ofendem gratuitamente a fé de um povo e não querem que eles reajam de forma tão ofensiva quanto? Sem contar que as mesmas pessoas que reagiram contra a tentativa islâmica de impor o respeito a sua fé aos outros povos provavelmente acharam o máximo a proibição da burca em universidades - que não é uma imposição da cultura ocidental às mulheres islâmicas, imagine.

Enfim, só para encerrar: lembram a professora que dizia que "a liberdade de um termina quando começa a liberdade do outro"? Vou parafraseá-la a respeito de outra frase famosa dela: "não confundam liberdade de expressão com libertinagem de expressão". Palavras machucam SIM, e devem ser vigiadas com atenção, SIM, especialmente quando a intenção é atacar uma pessoa ou um grupo. Respeito é bom e todo mundo gosta. Com ou sem correção política.