Tou pra falar isso há tempos. Hoje foi a gota d'água.
Para quem ainda não viu, houve uma tragédia em uma escola do Rio de Janeiro, em que um homem entrou atirando em uma escola no bairro Realengo. Alguns detalhes aqui.
É um fato lamentável e terrível, e, no momento, os brasileiros do Rio de Janeiro podem contribuir doando sangue. Os demais, de outras partes do Brasil, podem apenas torcer para que as consequências dessa tragédia sejam as menores possíveis: que haja o menor número possível de mortos e feridos, que os adultos e as crianças que sobreviveram recebam ajuda para superar o trauma, etc, etc, etc.
Nesse ponto, entra a minha bronca.
Muitas pessoas estão externando suas condolências e sua solidariedade de diversas formas. Alguns dizem "estou chocado, sou incapaz de achar graça em piadas sobre o tema". Outros, que "se as autoridades fizessem isso e isso, coisas como essa não aconteceriam". Pergunta: qual a utilidade prática imediata desses comentários para as vítimas da tragédia? NENHUMA. Qual a utilidade prática imediata desse aperto no coração que você sentiu e quer dividir com alguém? NENHUMA. Por que raios então as pessoas não têm o direito de dizer que querem fazer uma prece pelo ocorrido? Por que sempre tem uma criatura pra soltar o famoso "prece é a melhor maneira de se fingir que se está fazendo alguma coisa", e similares?
Escutem aqui: quando alguém diz que "vai fazer uma prece" por alguma coisa, isso é só um jeito diferente de dizer "melhoras, fulano" ou "meus pêsames". Isso NÃO deve ser traduzido como "pronto, fiz a prece, minha responsabilidade acabou". Isso se traduz como: "nossa, fulano, eu me importo com você e quero que fique bem. Conta comigo pro que eu puder fazer".
Acreditem em mim: existem pessoas que dizem que vão rezar pelas outras só como desencargo de consciência, sim. Que vão botar tudo nas mãos de Deus, esquecendo-se de que nós somos suas mãos na Terra. Mas até aí, pessoas se dizem chocadas com tragédias também só estão fazendo um desencargo de consciência. O negócio é que, assim como as pessoas que não oram doam dinheiro (ou qualquer outra coisa) pela causa (ou pelo menos se espera, né?), pessoas que oram também doam. Quando alguém diz que vai fazer uma prece e isso não foi da boca para fora, quando ela realmente faz, isso mostra que ela está sensibilizada pela causa e disposta a agir. O fato de alguém ter pedido preces pela tragédia não quer dizer NADA sobre o quanto ela vai ou não fazer de efetivo no futuro. Assim como bancar o "não faço prece porque é inútil" não te torna automaticamente uma pessoa melhor e mais consciente, caso isso não se traduza em ações efetivas, mas em simples implicância.
Nosso mundo está com uma carência generalizada de gentileza e tolerância. Dizer "estou orando pelas vítimas do Rio" é uma forma de gentileza e de expressar solidariedade, tanto quanto qualquer outra coisa que alguém diga a esse respeito. Eu gostaria MUITO que as pessoas PARASSEM de coibir manifestações de gentileza e de consternação só porque tem a palavra "oração" no meio. Sério. Porque com isso, elas estão tirando de si mesmas o direito de falar qualquer coisa que seja sobre o fato em questão, a menos que suas palavras realmente irão mudar alguma coisa a curto prazo para aqueles em sofrimento.
Vamos ter respeito e tolerância com os outros. E acima de tudo, vamos incentivar as pessoas a estender sua gentileza e consternação para além das palavras, sejam elas de cunho religioso, político, social ou meramente palavras de boa educação. Mas vamos fazer isso SEM calar as palavras feitas com boas intenções. Ninguém gosta de dizer para alguém "eu te amo" e receber de volta um "eu sei disso, pra que você fica repetindo?".
Acho que essa tirinha do xkcd resume o efeito que alguém consegue por assumir com o outro a atitude de "seu hipócrita, você não está fazendo todo o bem que podia":
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quinta-feira, 7 de abril de 2011
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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
Das coisas que não entendo (1)
...Porque Deus, o deus cristão, é referido com letra minúscula em alguns textos ao longo da internet, em sites, blogs e e-mails?
OK, eu entendo perfeitamente que um ateu não use letra maiúscula nos pronomes que se referem a Deus (como Ele, Dele, etc.). De fato, não faz sentido para uma pessoa que não acredita Nele. (Eu mesma uso a maiúscula nos pronomes pelo hábito, mas não vou me sentir cometendo um pecado caso me esqueça disso. A inteligência suprema que me apresentaram não é mesquinha, muito menos a esse ponto.)
O que eu não entendo é que o fato de eu não acreditar neles não faz com que eu escreva zeus, thor, friga ou aslam. E apesar de escreverem "deus", essas mesmas pessoas escrevem Allah. Que significa "deus" em árabe.
Pois é.
E ainda tem o agravante que "deus", com letra minúscula, é sinônimo de "entidade divina". Cristãos (e derivados) não acreditam num deus genérico, mas em uma entidade bem particular, com um conjunto próprio de características. Deus. Senhor, que seja. São nomes Dele (ou, ao menos, nomes que os homens usam ao falar Dele). Nomes próprios devem ser escritos em letra maiúscula. Por que "deus", meu Deus? o_O
"Ah, Adriana, quando eles dizem que 'não acreditam em deus', querem justamente dizer que não acreditam em uma entidade divina qualquer, não necessariamente a cristã".
Peraí, eles só não acreditam em um entidade divina, no singular? Então, são politeístas? Porque, se estão falando de um deus qualquer, o certo seria "não acredito em deuses", "não acredito em nenhum deus" ou mesmo "não acredito na existência de um deus". Semanticamente, "não acredito em deus" não está certo.
Enfim, eu não estou me preocupando tanto com o ideal por trás desse uso da letra minúscula, ou porque acho que Deus vai entrar em depressão porque fazem isso. Como eu disse, Deus, o Deus que me apresentaram desde criança, é meio que onipotente o bastante para não ter complexo de inferioridade. Mas fico incomodada com uma coisa que surgiu única e simplesmente por implicância (se não é implicância, qual o motivo?!). Isso não costuma terminar bem a longo prazo.
Defesas da letra minúscula? Querem desabafar algo? Os comentários tão abertos. Inté. o/
----------------------------------------------------
EDIT: Vamos colocar isso com todas as letras: NÃO ESTOU ATACANDO O ATEÍSMO. Os ateus que realmente têm fundamento especificam que "deus" é esse ("o deus cristão", ou o chamam pelos nomes oficiais, como Jeová e Elohim). Estou falando de quem usa a palavra genérica sem nem saber de que está falando, e a dimensão negativa que dá tratar de uma entidade como se ela fosse algo sem identidade própria.
OK, eu entendo perfeitamente que um ateu não use letra maiúscula nos pronomes que se referem a Deus (como Ele, Dele, etc.). De fato, não faz sentido para uma pessoa que não acredita Nele. (Eu mesma uso a maiúscula nos pronomes pelo hábito, mas não vou me sentir cometendo um pecado caso me esqueça disso. A inteligência suprema que me apresentaram não é mesquinha, muito menos a esse ponto.)
O que eu não entendo é que o fato de eu não acreditar neles não faz com que eu escreva zeus, thor, friga ou aslam. E apesar de escreverem "deus", essas mesmas pessoas escrevem Allah. Que significa "deus" em árabe.
Pois é.
E ainda tem o agravante que "deus", com letra minúscula, é sinônimo de "entidade divina". Cristãos (e derivados) não acreditam num deus genérico, mas em uma entidade bem particular, com um conjunto próprio de características. Deus. Senhor, que seja. São nomes Dele (ou, ao menos, nomes que os homens usam ao falar Dele). Nomes próprios devem ser escritos em letra maiúscula. Por que "deus", meu Deus? o_O
"Ah, Adriana, quando eles dizem que 'não acreditam em deus', querem justamente dizer que não acreditam em uma entidade divina qualquer, não necessariamente a cristã".
Peraí, eles só não acreditam em um entidade divina, no singular? Então, são politeístas? Porque, se estão falando de um deus qualquer, o certo seria "não acredito em deuses", "não acredito em nenhum deus" ou mesmo "não acredito na existência de um deus". Semanticamente, "não acredito em deus" não está certo.
Enfim, eu não estou me preocupando tanto com o ideal por trás desse uso da letra minúscula, ou porque acho que Deus vai entrar em depressão porque fazem isso. Como eu disse, Deus, o Deus que me apresentaram desde criança, é meio que onipotente o bastante para não ter complexo de inferioridade. Mas fico incomodada com uma coisa que surgiu única e simplesmente por implicância (se não é implicância, qual o motivo?!). Isso não costuma terminar bem a longo prazo.
Defesas da letra minúscula? Querem desabafar algo? Os comentários tão abertos. Inté. o/
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EDIT: Vamos colocar isso com todas as letras: NÃO ESTOU ATACANDO O ATEÍSMO. Os ateus que realmente têm fundamento especificam que "deus" é esse ("o deus cristão", ou o chamam pelos nomes oficiais, como Jeová e Elohim). Estou falando de quem usa a palavra genérica sem nem saber de que está falando, e a dimensão negativa que dá tratar de uma entidade como se ela fosse algo sem identidade própria.
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